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Atualizações da semana

Resumo econômico da semana: tarifaço dos EUA, petróleo em queda e Focus com inflação menor (28/07/2026)

Tarifas americanas de até 37,5% entram em vigor, o petróleo recua com a trégua entre EUA e Irã e o Boletim Focus reduz o IPCA de 2026 para 5,12%. Entenda o que muda no seu bolso.

Equipe Plan 'n' Gain23 min de leitura

Entre 21 e 28 de julho de 2026, os Estados Unidos passaram a cobrar até 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros, o petróleo despencou com a trégua no Oriente Médio e o mercado voltou a reduzir a projeção de inflação. Explicamos, em linguagem simples, o que isso significa para quem investe, financia, gasta e poupa.

Nota. Edição fechada na manhã de 28 de julho de 2026, com dados de mercado do fechamento de segunda (27). O IPCA-15 de julho saiu às 9h desta terça e ainda não estava consolidado.

Resumo Executivo

Três forças explicam quase tudo o que aconteceu com preços, juros e câmbio nesta semana.

Comércio. Os Estados Unidos colocaram em vigor duas novas tarifas contra produtos brasileiros: 25% desde quarta-feira (22) e 12,5% adicionais desde sexta (24). Somadas, chegam a 37,5% em setores como calçados, máquinas e equipamentos. Cerca de 2 mil produtos, entre eles café e suco de laranja, ficaram de fora.

Energia. Depois de o Brent superar US$ 100 na semana anterior, a trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã derrubou o barril para a casa dos US$ 91 — menos pressão futura em combustíveis, frete e alimentos.

Juros. O Boletim Focus reduziu pela quarta semana seguida a projeção de inflação de 2026, de 5,15% para 5,12%. A Selic segue em 14,25% ao ano, com Copom em 4 e 5 de agosto, e o Federal Reserve decide os juros americanos nesta quarta (29) sob risco — minoritário — de alta.

No mercado, o Ibovespa fechou segunda aos 175.334 pontos (+0,74%) e o dólar subiu 0,62%, a R$ 5,113. E a Receita Federal confirmou o terceiro lote de restituição do Imposto de Renda para 31 de julho: R$ 10 bilhões para 7,2 milhões de contribuintes.

Panorama da Semana

A economia brasileira entrou no segundo semestre em uma situação incomum: emprego forte, inflação teimosa e juros altíssimos. A desocupação está em 5,6%, a menor já registrada para o período na série da PNAD Contínua. A inflação em 12 meses fechou junho em 4,64%, acima do teto da meta (4,5%), e a Selic está em 14,25% ao ano — um dos maiores juros reais do mundo.

Isso explica a cautela do Banco Central, que cortou juros três vezes desde março, sempre em 0,25 ponto, saindo de 15%: a inflação de serviços resiste e o emprego aquecido sustenta o consumo. Sobre esse quadro caíram dois choques externos.

O primeiro é a guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no fim de fevereiro, com cessar-fogo em junho, retomada em 8 de julho e nova pausa neste fim de semana. Cada capítulo mexe com o petróleo — e o petróleo mexe com a gasolina, o frete, os alimentos e a Petrobras.

O segundo é a escalada tarifária americana. Depois de a Justiça dos Estados Unidos derrubar, em fevereiro, as tarifas globais baseadas em poderes de emergência econômica, o governo passou a usar a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, caminho mais difícil de contestar. Por essa via vieram os 25% (desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix) e os 12,5% adicionais (trabalho forçado, medida que atingiu 60 países e a União Europeia).

Atenção. Tarifa não é imposto pago pelo Brasil: é um encarecimento cobrado do importador americano. O efeito é reduzir a competitividade do produto brasileiro nos Estados Unidos, pressionando faturamento, margens e empregos nos setores atingidos.

O que mudou desde a semana anterior

TemaSemana anteriorAgora
Tarifas dos EUAAmeaça anunciadaEm vigor desde 22 e 24 de julho
Petróleo BrentAcima de US$ 100Perto de US$ 91
Focus — IPCA 20265,15%5,12% (4ª queda seguida)
Focus — PIB 20271,65%1,60%
Focus — IGP-M 20265,55%5,42%
Restituição do IR2 lotes pagos3º lote confirmado para 31/07

Resumindo: a inflação melhorou, o comércio externo piorou e o crescimento ficou mais fraco no médio prazo — ajuste de intensidade, não virada de tendência.

Números da Semana

IndicadorValor atualValor anteriorVariaçãoImpacto
Ibovespa175.334 pts (27/07)174.046 pts (24/07)+0,74%Alívio em carteiras de ações
Dólar à vistaR$ 5,113R$ 5,081+0,62%Encarece importados
Brent (set/26)US$ 91US$ 96,80-6,0%Reduz risco nos combustíveis
Selic14,25% ao ano14,25% ao anoEstávelRenda fixa muito atrativa
Focus — IPCA 20265,12%5,15%-0,03 p.p.Inflação um pouco menor
Focus — Selic fim de 202614,00%14,00%EstávelSó mais um corte
Focus — PIB 20261,99%1,99%EstávelCrescimento moderado
Focus — dólar fim de 2026R$ 5,20R$ 5,20EstávelCâmbio sem disparada
Focus — IGP-M 20265,42%5,55%-0,13 p.p.Aluguéis menos pressionados
Tarifa dos EUA (parte dos produtos)Até 37,5%10% (provisória)+27,5 p.p.Perda de competitividade

Boletim Focus

O Focus é a pesquisa semanal em que o Banco Central pergunta a mais de cem instituições financeiras o que elas esperam da economia. Não é previsão oficial do governo: é o termômetro do mercado.

IPCA: quarta queda seguida

IPCA projetado para 2026: 5,12% ↓ (anterior: 5,15%) — Boletim Focus, 27/07/2026.

A projeção de 2026 caiu de 5,15% para 5,12%. Para 2027 houve leve piora, de 4,20% para 4,22%; 2029 segue em 3,50%. A melhora vem de alimentos e combustíveis: o grupo alimentação e bebidas recuou 0,24% no IPCA de junho, após subir 1,33% em maio.

Ainda assim, 5,12% está muito acima da meta de 3% (com tolerância de 1,5 ponto). Uma inflação de 5% significa que R$ 1.000 guardados hoje comprarão cerca de R$ 950 daqui a um ano: todo investimento que rende menos que a inflação destrói poder de compra.

Sua inflação pessoal é igual à do IBGE? O IPCA é uma média nacional. A inflação que pesa no seu orçamento depende do que você consome. No Plan 'n' Gain você acompanha seus gastos por categoria e descobre se suas despesas estão crescendo acima da inflação oficial. Acompanhar meus gastos.

Selic: só mais um corte previsto para 2026

A projeção para o fim de 2026 ficou em 14% ao ano, estável pela quinta semana. Para 2027 segue em 12%; 2028, em 10,5%. Como a Selic está em 14,25%, o mercado vê espaço para apenas mais um corte de 0,25 ponto até dezembro — provavelmente já em agosto. É o mesmo diagnóstico da pesquisa da Febraban de julho. Ou seja: os juros ficarão altos por mais tempo do que se imaginava em janeiro — ótimo para quem investe, péssimo para quem tem dívida.

PIB: crescimento moderado

A projeção de 2026 ficou em 1,99%, estável pela quarta semana; a de 2027 caiu de 1,65% para 1,60%. O número conversa com a atividade: o IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, subiu apenas 0,1% em maio. Depois de um primeiro trimestre forte (PIB de 1,1%), a economia perde tração.

Dólar: projeção parada

A estimativa para o fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, sem mudança há seis semanas; para 2027 subiu para R$ 5,29. Nem disparada nem queda forte: juros altos atraem capital estrangeiro e seguram o dólar, enquanto a incerteza comercial e eleitoral empurra na direção contrária.

Indicadores Econômicos

IPCA e IPCA-15

O IPCA de junho subiu 0,16%, acumulando 3,36% no ano e 4,64% em 12 meses — abaixo dos 4,72% do mês anterior. O maior impacto veio de habitação (+0,63%), com a bandeira amarela cobrando R$ 1,885 a cada 100 kWh. Os núcleos, que excluem itens voláteis, ficaram entre 0,15% e 0,25%: cenário subjacente mais calmo. O IPCA-15 de junho foi de 0,41%, com 4,80% em 12 meses, e a mediana de mercado apontava perto de 0,30% para o IPCA de julho. Em agosto, o bônus de Itaipu alivia a conta de luz.

INPC

O INPC mede a inflação das famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos: subiu 0,14% em junho e acumula 4,33% em 12 meses, contra 4,42% em maio. Ele baliza reajustes salariais e benefícios do INSS acima do piso. Estar abaixo do IPCA mostra que a queda dos alimentos beneficiou mais quem ganha menos.

IGP-M

O IGP-M de junho, da FGV, teve deflação de 0,50% no mês e alta de 3,16% em 12 meses — percentual aplicado nos aluguéis com aniversário em julho indexados ao índice, bem menos que os 4,64% do IPCA. O de julho sai no fim desta semana.

Selic e CDI

A Selic está em 14,25% ao ano desde 17 de junho. O CDI, que remunera a maior parte da renda fixa privada, caminha colado nela: aplicações conservadoras entregam perto de 1,1% ao mês antes de impostos. Já a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial quando a Selic passa de 8,5% — regra que a faz perder de quase qualquer alternativa hoje.

Quanto a Selic muda seus rendimentos? Com juros a 14,25% ao ano, a diferença entre deixar o dinheiro parado e aplicá-lo bem é enorme em 12 meses. Simule cenários e organize suas metas no Plan 'n' Gain. Simular meus rendimentos.

PIB, indústria, varejo e serviços

Os dados de maio contam uma história coerente de desaceleração gradual: produção industrial -0,2%; varejo (PMC) +0,1%, contra expectativa de 0,8%; serviços (PMS) -0,4%, setor que responde por cerca de 70% do PIB; e IBC-Br +0,1% no mês. Juros altos encarecem o crédito, travam investimento e comprimem o consumo financiado.

Desemprego

A desocupação ficou em 5,6% no trimestre de março a maio, 0,6 ponto abaixo do mesmo período de 2025 (6,2%), com 102,7 milhões de ocupados e 39,3 milhões com carteira assinada. Emprego forte sustenta a renda, mas é um dos motivos da cautela do Copom: consumo firme mantém a inflação de serviços.

Dólar e Ibovespa

O dólar fechou segunda a R$ 5,113, acompanhando a moeda americana no exterior (DXY a 101,51 pontos). O Ibovespa subiu 0,74%, aos 175.334 pontos, acumulando 1,92% em julho e 8,82% em 2026 — ainda longe do recorde próximo de 192 mil pontos, de fevereiro.

Tesouro Direto

Os títulos públicos seguem com taxas historicamente altas: no fim de junho havia Tesouro IPCA+ 2032 pagando cerca de 8,30% ao ano mais inflação e prefixados entre 14,20% e 14,36% para 2029 e 2032. As taxas mudam todo dia útil: consulte a plataforma oficial.

Um título que paga "IPCA + 8% ao ano" garante, se mantido até o vencimento, ganho real de 8% acima da inflação. Patamar raro na história recente do Brasil.

Mercado Financeiro

A segunda-feira mostrou como notícias externas chegam ao investidor brasileiro. Com a trégua entre Estados Unidos e Irã, o petróleo desabou e as bolsas globais se animaram: energia mais barata significa menos inflação e menos pressão sobre bancos centrais. O Ibovespa subiu puxado por bancos (Banco do Brasil, +0,74%) e pela Vale (+0,60%).

Houve, porém, efeito colateral: a Petrobras recuou 2,84%, a PRIO perdeu 5,29% e a Petrorecôncavo cedeu 3,31%. Quando a commodity que a empresa vende fica mais barata, a receita esperada cai e a ação acompanha. Também pesou o retorno gradual do investidor estrangeiro à B3 em julho.

Juros futuros e câmbio seguem reféns de duas datas: o Fed nesta quarta (29) e o Copom em 5 de agosto. Nos Estados Unidos, o mercado precifica cerca de 30% de chance de alta de juros, algo impensável meses atrás — o motivo é o petróleo, que pressiona a inflação americana, já acima da meta de 2%. O Citi avalia que o Fed manterá a taxa, mas a probabilidade de manutenção em setembro caiu de 47,6% para 16,8%.

Se o Fed subir juros, títulos americanos ficam mais atrativos, capital sai de emergentes e o real se desvaloriza. Câmbio mais alto encarece importados e pressiona a inflação aqui — e reduz o espaço do Copom para cortar a Selic.

Impostos e Governo

O tarifaço e a resposta brasileira

A tarifa de 25% entrou em vigor em 22 de julho e a sobretaxa de 12,5% em 24 de julho; em alguns produtos elas se somam e chegam a 37,5%. Os setores mais expostos são calçados, têxteis, móveis, máquinas e equipamentos; a celulose foi atingida só pelos 12,5%. Segundo o MDIC, cerca de 2 mil produtos foram poupados, incluindo café e suco de laranja.

O governo brasileiro rejeitou a medida, sinalizou o acionamento da Lei da Reciprocidade e a disputa na Organização Mundial do Comércio e passou a ouvir os setores afetados desde 21 de julho. A Fazenda informou que o Plano Brasil Soberano, com R$ 18 bilhões para financiar o setor produtivo, será recalibrado para reforçar o apoio aos exportadores industriais, com efeitos possíveis já no próximo mês.

Quem é afetado e quando: empresas exportadoras para os Estados Unidos, imediatamente; trabalhadores desses setores, nos próximos meses, se as vendas caírem; consumidores brasileiros, de forma indireta, já que parte da produção não exportada pode ser redirecionada ao mercado interno e pressionar alguns preços para baixo.

Fiscal e Imposto de Renda

Em 23 de julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que estabilizar a relação dívida/PIB é a "última milha" do ajuste, projetou superávits primários entre 2028 e 2029 e queda da dívida a partir de 2030, atribuindo a pressão atual à conta de juros. No dia 24, descartou medidas de controle de capitais, tratando o tema como ruído eleitoral.

A Receita Federal liberou em 24 de julho a consulta ao terceiro lote do IRPF 2026, com pagamento em 31 de julho: 7.219.048 contribuintes e R$ 10 bilhões, o maior lote da história em número de beneficiados. Os dois primeiros lotes, em maio e junho, somaram R$ 32 bilhões; o último sai em 31 de agosto. Lembre-se de que 2026 é o primeiro ano da isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil por mês.

Como isso afeta

Quem investe

Com Selic a 14,25% e projeção de 14% para dezembro, a renda fixa segue pagando muito bem. A novidade é o risco externo: tarifas e possível alta de juros nos EUA aumentam a volatilidade. Diversificação e prazo definido para cada objetivo valem mais que adivinhar o próximo movimento.

Quem está financiando imóvel

Contratos antigos com taxa fixa não mudam. A atenção é para quem vai contratar agora: a taxa média do crédito bateu 33,1% ao ano em março, a maior da série iniciada em 2011. Se o prazo é flexível, esperar o ciclo de cortes avançar reduz bastante o custo total.

Quem pretende comprar carro

Duas forças opostas. A favor: a queda do petróleo reduz o risco de alta nos combustíveis. Contra: o crédito segue caro, e um financiamento de 48 ou 60 meses pode custar quase o valor do carro em encargos. Compare o Custo Efetivo Total, não a parcela.

Quem utiliza cartão de crédito

É o maior risco silencioso do orçamento brasileiro: em março de 2026, a taxa média do rotativo estava em 428,6% ao ano. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 80,4% das famílias estavam endividadas, recorde da série, com 29,6% em atraso. Nenhum investimento rende o que o rotativo cobra: quitar essa dívida é melhor que qualquer aplicação.

Controle a fatura antes que ela controle você. Acompanhe limites, fechamento e vencimento de todos os seus cartões em um só lugar e antecipe o impacto da fatura no mês seguinte com o Plan 'n' Gain. Organizar meus cartões.

Quem possui reserva de emergência

Momento excelente: a reserva precisa de liquidez diária e baixo risco, e hoje isso vem com rendimento perto de 1,1% ao mês. Os dois erros comuns são deixá-la na poupança e aplicá-la em algo com risco de oscilação.

Quem investe em Tesouro Selic

É o título que acompanha a taxa básica diariamente e oscila pouco, escolha natural para reserva de emergência. Com apenas um corte previsto até dezembro, o rendimento deve seguir alto. Aplicações de até R$ 10 mil são isentas da taxa de custódia da B3.

Quem investe em CDB

CDBs pagam um percentual do CDI, que acompanha a Selic; nesse patamar, papéis a partir de 100% do CDI são competitivos. Atenção ao prazo — CDBs com carência não servem para reserva — e ao limite do Fundo Garantidor de Créditos, de R$ 250 mil por CPF e por instituição.

Quem investe em ações

A bolsa acumula 8,82% em 2026, com muita volatilidade. Esta semana mostrou como o setor importa: bancos e mineração subiram, petroleiras caíram. Exportadoras para os EUA entraram no radar de risco. Para pessoa física, o antídoto é prazo longo e aportes regulares.

Quem investe em FIIs

Fundos imobiliários são sensíveis a juros: quando a renda fixa paga 14%, o investidor exige mais retorno do FII e as cotas tendem a cair. Já fundos de papel indexados ao IPCA ou ao CDI se beneficiam. O IGP-M contido (3,16%) tende a limitar reajustes de aluguéis atrelados ao índice.

Quem investe em dólar

Com a moeda a R$ 5,113 e projeção de R$ 5,20 para dezembro, não há consenso de tendência. Dólar faz sentido como proteção para despesas futuras na moeda — viagem, intercâmbio, curso — não como aposta de curto prazo.

Oportunidades

  • Juros reais elevados. Títulos indexados à inflação perto de 8% acima do IPCA e prefixados acima de 14% são patamares raros para objetivos de longo prazo.
  • Momento ideal para a reserva de emergência. Liquidez e rendimento alto raramente coexistem como agora.
  • Renegociação de dívidas. Com bancos disputando bons pagadores, portabilidade e renegociação podem gerar economia imediata.
  • Restituição do IR como capital inicial. Os R$ 10 bilhões de 31 de julho podem quitar dívidas caras ou iniciar uma reserva, em vez de virar consumo por impulso.
  • Alívio na conta de luz em agosto, com o bônus de Itaipu, e reajustes menores em aluguéis atrelados ao IGP-M.

Riscos

  • Retomada da guerra entre EUA e Irã. A trégua é frágil; nova escalada pode levar o petróleo acima de US$ 100 e reacender a inflação de combustíveis.
  • Alta de juros nos Estados Unidos. Cerca de 30% de probabilidade nesta quarta e risco maior em setembro, o que significaria dólar mais forte e pressão sobre a bolsa.
  • Efeito das tarifas no emprego. Calçados, têxteis, móveis e bens de capital empregam muita gente; se as vendas caírem, o impacto chega às contratações.
  • Endividamento recorde das famílias. Com 80,4% endividadas e rotativo acima de 400% ao ano, qualquer choque de renda tem efeito amplificado.
  • Inflação de serviços resistente, que pode travar a queda da Selic.
  • Ano eleitoral. Outubro traz eleições gerais, e o debate econômico tende a gerar volatilidade.

O que fazer nesta semana

  1. Confira o extrato da sua restituição. Se estiver no terceiro lote, o dinheiro cai em 31 de julho. Decida o destino antes de receber: dívidas caras primeiro, reserva depois.
  2. Liste suas dívidas por taxa de juros, não por valor. Pagar primeiro a mais cara — em geral rotativo ou cheque especial — economiza mais do que qualquer investimento renderia.
  3. Verifique se a reserva está rendendo. Se estiver na poupança, calcule quanto deixa de ganhar por mês em relação a uma aplicação atrelada à Selic ou ao CDI.
  4. Recalcule o orçamento com a sua inflação real. Compare a variação dos seus gastos por categoria nos últimos 12 meses com os 4,64% do IPCA.
  5. Se seu aluguel reajusta agora, veja qual índice está no contrato: a diferença entre IGP-M (3,16%) e IPCA (4,64%) muda a parcela.
  6. Evite decisões grandes na véspera das reuniões de juros. Movimentos de curto prazo tendem a se reverter.

Agenda Econômica

  • Terça, 28/07 — IPCA-15 de julho (IBGE), principal termômetro de inflação antes do Copom, e primeiro dia da reunião do Fed.
  • Quarta, 29/07 — Decisão de juros do Federal Reserve, às 15h de Brasília: o evento mais importante da semana para dólar e bolsa. Também é esperado o IGP-M de julho, referência de reajustes de aluguel.
  • Quinta e sexta, 30 e 31/07 — PNAD Contínua do trimestre encerrado em junho, Índice de Preços ao Produtor, resultados fiscais e estatísticas de crédito do Banco Central. O conjunto mostra se o emprego segue forte e como está o endividamento das famílias.
  • Sexta, 31/07 — Pagamento do terceiro lote do IRPF 2026, inflação preliminar da zona do euro e decisão do Banco do Japão.
  • 4 e 5 de agosto — Reunião do Copom, a primeira do segundo semestre. O mercado espera corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 14% ao ano.

As três variáveis que mais afetam o seu dinheiro nos próximos meses — inflação, juros americanos e juros brasileiros — passam por essas datas.

Conclusão

A semana de 21 a 28 de julho mostrou uma economia pressionada de fora e resiliente por dentro. De fora vieram duas más notícias — tarifas americanas de até 37,5% e maior chance de alta de juros nos EUA — e uma boa: a trégua no Oriente Médio derrubou o petróleo de mais de US$ 100 para cerca de US$ 91.

De dentro, o quadro é de juros muito altos (Selic a 14,25%), inflação em desaceleração lenta (4,64% em 12 meses, projetada em 5,12% no ano), desemprego no menor nível da série (5,6%) e atividade perdendo força, com apenas mais um corte de juros previsto para 2026.

A tradução prática não mudou: é um dos melhores momentos da história recente para ser credor e um dos piores para ser devedor. Entre esses extremos, a decisão mais rentável hoje não é escolher o investimento perfeito — é organizar o orçamento, quitar o crédito caro e transformar sobra em reserva.

"A projeção de inflação para 2026 caiu pela quarta semana consecutiva, para 5,12%, enquanto as estimativas para Selic, PIB e dólar permaneceram praticamente estáveis." — Boletim Focus, Banco Central do Brasil, 27 de julho de 2026

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Perguntas Frequentes

O que aconteceu com as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros em julho de 2026?

Uma tarifa de 25%, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, entrou em vigor em 22 de julho de 2026, e uma sobretaxa adicional de 12,5%, ligada a investigação sobre trabalho forçado, em 24 de julho. Em produtos como calçados, máquinas e equipamentos as duas se somam e chegam a 37,5%. Cerca de 2 mil produtos foram poupados, entre eles café e suco de laranja.

Qual é a taxa Selic hoje e quando é a próxima reunião do Copom?

A Selic está em 14,25% ao ano, definida na reunião de 17 de junho de 2026. A próxima reunião do Copom acontece em 4 e 5 de agosto, com anúncio na quarta após o fechamento dos mercados. O Boletim Focus projeta a Selic em 14% ao ano no fim de 2026, o que indica expectativa de apenas mais um corte de 0,25 ponto neste ano.

O que o Boletim Focus de 27 de julho de 2026 mostrou?

A projeção de IPCA para 2026 caiu de 5,15% para 5,12%, na quarta redução consecutiva. A projeção de PIB de 2026 ficou estável em 1,99%, a do dólar no fim do ano permaneceu em R$ 5,20 e a da Selic seguiu em 14% ao ano. A estimativa de IGP-M para 2026 recuou de 5,55% para 5,42%.

Quando cai o terceiro lote da restituição do Imposto de Renda 2026?

O pagamento está previsto para 31 de julho de 2026, com consulta liberada pela Receita Federal em 24 de julho. O lote contempla 7.219.048 contribuintes e R$ 10 bilhões, sendo o maior da história em número de beneficiados. O último lote regular está previsto para 31 de agosto.

A queda do petróleo vai baixar o preço da gasolina no Brasil?

Não necessariamente e não de imediato. A Petrobras não repassa integralmente a volatilidade internacional aos preços internos, e o valor final na bomba depende de impostos, margens de distribuição e revenda, câmbio e concorrência do etanol. A queda do barril reduz o risco de novos aumentos, o que é diferente de garantir redução.

Com a Selic a 14,25%, ainda vale a pena usar a poupança?

A poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, bem menos que aplicações atreladas à Selic ou ao CDI no patamar atual. Com inflação de 4,64% em 12 meses, o ganho real é pequeno. A escolha depende do seu objetivo e perfil; este texto não é recomendação.

Referências

Aviso: conteúdo jornalístico e educacional, sem recomendação de investimento. Dados de mercado oscilam diariamente. Consulte as fontes oficiais citadas antes de decidir.